terça-feira, 31 de julho de 2007

Por mais distante o errante navegante, quem jamais te esqueceria

A Nasa divulgou as imagens mais fiéis da Terra, produzidas até hoje. Notem bem: a água é azul e os continentes mesclam amarelo, verde e tons terrosos. Lá do espaço, não vemos os muros que separam Irã e Iraque, Estados Unidos e México, negros e brancos, cristãos e muçulmanos, ricos e pobres.

Voltando às origens

Hoje tive uma sensação estranha. Voltei ao palco dos meus vinte e poucos anos: o prédio em que estudei na faculdade. Tudo parece e está diferente: as portas com outras cores, as paredes com novos cartazes, as salas ainda mais detonadas. Só o elevador continua o mesmo, com oito botões, indicando oito andares, apesar do prédio só ter cinco. Na verdade, acho que o prédio está como era antes, reflexo de quem estuda por lá. Agora sou estrangeira para aqueles corredores.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Segunda-feira

“Se o horário oficial é o de Brasília, por que os brasileiros precisam trabalhar de segunda a sexta?”
Algum motorista de caminhão

domingo, 29 de julho de 2007

sábado, 28 de julho de 2007

Só vamos então deixar combinado, aqui é a vida real

Sem dúvidas, estou torcendo pelo Brasil no Pan. Sofri com as gurias do vôlei e do basquete. Vibrei com as vitórias do nosso João Derly, do Hugo Hoyama e das craques do futebol feminino. O fato de termos, vergonhosamente, gasto mais do que o triplo do orçamento pra sediar a competição não pode atrapalhar a torcida pelos nossos atletas. Ao mesmo tempo fico pensando que a partir da próxima segunda-feira voltaremos à rotina dos nossos noticiários de TV, rádio e jornal. Trocaremos as entrevistas com os medalhistas e as notícias direto do Engenhão pelas matérias que ficaram arquivadas durante as últimas duas semanas. Ao apagar da pira, soará o apito para o início de um novo jogo: o da vida real.

Pra pensar II

“Todos os homens se dividem, em todos os tempos e também hoje, em escravos e livres; pois aquele que não tem dois terços do dia para si é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito”.
Friedrich Nietzsche

sexta-feira, 27 de julho de 2007

ASDFG

Quem tem mais de 30 sabe do que estou falando. Sim, confesso: eu fiz curso de datilografia. Básico e avançado. Naquelas máquinas antigas Olivetti, pesadas. As elétricas vieram depois. Pois é. Aos 36 anos descobri que sou do tempo do Ariri Pistola, certamente um contemporâneo da máquina de escrever. Com a velocidade em que o mundo de hoje evolui, a nostalgia está chegando cada vez mais cedo.

O melhor baú

Nas últimas semanas, conversei e encontrei com amigos e colegas do 1º e do 2º graus. Depois de mais de 20 anos, é claro que as pessoas mudaram. Aliás, nem o primeiro e o segundo graus têm mais esse nome! Mas a memória continua viva. O engraçado é ver que cada um tem uma história pra contar, um detalhe diferente, um outro ponto de vista sobre o mesmo fato. Apesar de todo mundo ter passado por bons e maus momentos – como toda criança e adolescente – é ótimo perceber que guardamos o melhor baú, o das melhores recordações. E até o que foi trágico, há duas décadas, pode ter virado motivo de boas gargalhadas!

terça-feira, 24 de julho de 2007

Pra pensar

"Não coce onde não está coçando".
Adolph Meyer, psiquiatra.

sábado, 21 de julho de 2007

Mudança de hábito

Desde que iniciei a trabalhar por conta própria, tenho me impressionado com a quantidade de gente que circula pela cidade no horário comercial. Eu imaginava que o trânsito, as lojas e os supermercados só ficavam lotados na hora do rush. Nas últimas semanas me surpreendi com mais uma constatação.

Há uns quinze dias começaram a vender bilhetes para o show do Cirque du Soleil. Resolvi sair na frente e aproveitar o primeiro dia para conseguir os ingressos mais baratos e os melhores lugares. Imaginei que seria fácil, uma vez que o show acontecerá daqui a dez meses, em um teatro que ainda nem foi construído. Quanto engano! Apesar de ser um dia chuvoso e o galpão de vendas estar na rua, havia uma fila de, no mínimo, umas duzentas pessoas. Um mar de guarda-chuvas à espera de ingressos.

Nesta semana se iniciaram as vendas para os espetáculos do Festival de Inverno de Porto Alegre. Shows de artistas de peso como Frank Solari, Engenheiros do Hawai e Fito Paez a preços de barbada: R$ 10 e R$ 15. Cheguei meia hora depois da bilheteria ter aberto e encontrei novamente mais de duas centenas de gaúchos enfileirados em busca de ingressos para o seu divertimento.

Hoje, além de muitas pessoas trabalharem em horários alternativos, ficou pra trás o velho hábito de deixar tudo pra última hora. A cidade cresceu e o mundo mudou enquanto eu estava, das 9h às 19h, trabalhando entre quatro paredes. Aos poucos estou descobrindo o lado de fora do aquário.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Direto da natureza

Na semana passada o blog tirou “férias”. Olha que texturas legais eu encontrei nesses diazinhos de folga.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Que país é esse?

Estou triste e envergonhada, como acredito que grande parte da população esteja hoje com o acidente do vôo 3064 da Tam, que matou cerca de 200 cidadãos. Cidadãos que votam; que pagam impostos e mesmo assim precisam pagar escola, plano de saúde, previdência privada; que têm família, filhos e amigos que neste momento devem estar chorando a sua falta. Ainda não se sabe o motivo principal para a queda da aeronave. O que todos nós sabemos é que há muito Congonhas vem trazendo insegurança à população, por se localizar em uma área central de São Paulo. Que a pista principal do aeroporto é considerada pequena. Que, apesar das reformas implementadas pela Infraero em função dos problemas de drenagem, a pista não tem ranhuras e continua escorregadia em dias de chuva. Que na segunda-feira, dia 16 de julho, um avião da empresa Pantanal perdeu o controle na aterrissagem. E que milhares de pessoas – ou melhor, vidas – transitam diariamente por este que é o aeroporto mais movimentado da América do Sul. Porém, hoje já vi notícias de autoridades supondo que a culpa seja do piloto, que infelizmente não tem mais o direito de se defender.

A crise aérea brasileira chegou ao seu limite. E dessa vez não será mais possível “relaxar e gozar”, como propôs a ministra do turismo, Marta Suplicy. Aliás, essa possibilidade nunca existiu. Estamos vivendo uma era em que a negligência, a imprudência e o pouco caso com as nossas vidas permitem que engenheiros construam prédios com estrutura de areia (lembram do Sérgio Naya e o seu Palace 2?) e estações de metrô que caem feito peças de dominó. Enquanto em outros lugares do mundo, o povo sofre com terremotos, tsunamis e ondas de calor, no país do “levar vantagem”, assistimos incrédulos a uma seqüência de tragédias que não vêm da natureza e, portanto, poderiam ser evitadas.

Como todos nós sabemos, a culpa nem sempre é do mordomo. À lista de vítimas do acidente com o avião da Tam, acrescento o meu nome e o de todos nós brasileiros, que padecemos diariamente pela incompetência das nossas autoridades em gerir esse país abençoado por Deus e bonito por natureza.

sábado, 7 de julho de 2007

Answer the call

Hoje o canal Multishow está apresentando o Live Earth, um evento promovido por Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, para alertar a população mundial para os nossos problemas ambientais. Mais de 150 artistas de diversos países estarão se apresentando pra multidões em oito cidades de continentes distintos. Talvez poderíamos citar essa iniciativa como uma das vantagens da globalização.

Acho ótima a idéia de disseminar a consciência ecológica. Não custa nada separar o lixo seco do orgânico, fechar a torneira quando escova os dentes ou faz a barba, usar menos papel e sacolas plásticas, consumir produtos ecologicamente corretos, desligar a luz e a TV quando não estiver utilizando. Cada um fazendo a sua parte, quem sabe a gente possa pressionar empresários, para que não poluam nossos rios com componentes químicos, e as autoridades, para que fiscalizem (sem se corromper!) o cumprimento das leis ambientais.

Espero que o evento seja uma forma verdadeira de lutar pelo desenvolvimento sustentável do nosso planeta. E não uma maneira enganosa de empresas e pessoas ganharem vitrine posando de ecológicos.

A propósito, lindo o filme que a agência África criou para o Itaú especialmente para o patrocínio do Live Earth. Confira abaixo.

Live Earth A, B, C e D

Coisas de casal

Nessa semana assisti a dois filmes que falam, cada um ao seu modo, de relacionamentos amorosos conturbados. Cão sem Dono, baseado no livro Até o dia em que o cão morreu, de Daniel Galera, com direção de Beto Brant e Renato Ciasca; e Pecados Íntimos, cujo nome original é Little Children, e tem direção de Todd Field.

No primeiro filme, um casal se conhece, troca carinhos, experiências, mas apesar do sexo, não troca intimidades. No segundo, existem vários casais problemáticos, que dividem o mesmo teto e se esquecem de dividir desejos, fantasias e preocupações.

Nos dois casos, o problema recorrente é a falta de diálogo. As pessoas não conversam sobre suas insatisfações, suas carências, e acabam se distanciando do companheiro. Falar sobre o que não está bom incomoda, não é confortável. E muitas vezes dói. Mas acredito que só assim podemos construir relacionamentos realmente fortes, transparentes e leais. Do contrário baseamos nossa vida em relações tão descartáveis quanto um copo plástico de cafezinho. Frágeis e antiecológicos.

Cão sem Dono, pelo menos, terminou com um final feliz. Na vida real, ainda bem, a gente não precisa esperar o fim pra buscar a felicidade.

Medéia e Jasão, em Porto Alegre

Está em cartaz, no Theatro São Pedro, uma montagem de Medéia, de Eurípides, dirigida por Luciano Alabarse. A tragédia grega que fala de vingança do início ao fim impressiona não só pela qualidade do elenco como pelo cuidado com figurino, cenário e iluminação. Já na entrada, antes de iniciar o espetáculo propriamente dito, o público é recebido pelos tripulantes do Argos que, quase silenciosamente, mostram suas agruras e dão uma idéia do que a peça irá oferecer. Durante duas horas somos envolvidos pela história da mulher que abandona sua terra, é traída pelo marido e resolve vingar sua sorte. É difícil sair do teatro sem refletir sobre temas polêmicos como traição, vingança e solidão. Vale a pena e ainda dá tempo de conferir.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Seis ou meia dúzia

Você já optou pela cobrança da sua conta telefônica por pulsos ou por minutos?

terça-feira, 3 de julho de 2007

Adeus, Neve!

Depois da margarina, agora nós, publicitários, vendemos felicidade em um vaso sanitário. Vale a pena dar uma olhada no mais inovador produto do mercado. Inacreditável!
Confira em cleanishappy.com.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

País das ilusões

Ontem o Brasil ganhou de 3x0 do time do Chile, pela Copa América. Três gols de Robinho. Quem vê o resultado até pensa que a seleção brasileira jogou muito. E engana-se. O pior é que tem muita gente achando que estamos bem, inclusive o próprio autor dos gols que declarou modestamente que agora irá trabalhar bastante “para manter essa média”.

A mesma miopia que nos acomete o futebol, nos faz sofrer no campo da educação. A partir de 2008 a UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – reservará 30% das vagas de cada curso para egressos de escolas públicas. Metade dessas vagas será destinada para aqueles que se declararem negros, além de terem estudado em escolas públicas. O vestibular pode não ser a forma mais justa de selecionar estudantes para ingresso no terceiro grau. Mas é perigoso achar que iremos resolver nossas questões culturais e educacionais com a simples reserva de vagas para esse ou aquele grupo de cidadãos. Enquanto isso, descuidamos da educação fundamental, da formação de professores qualificados e capazes de instigar nossas crianças ao pensamento crítico, e da atualização das bibliotecas no ensino público.

Vou torcer pela classificação do time comandado por Dunga, na Copa América. E pela seleção de craques que queremos formar em nossas escolas e universidades. Mas sem ilusões.